A partir dos 40 anos, é muito comum começar a perceber dificuldade para enxergar de perto. A leitura exige mais esforço, o celular precisa ser afastado e ambientes pouco iluminados passam a incomodar mais.
Esse processo natural é chamado de presbiopia, ou popularmente “vista cansada”. Ele ocorre porque o cristalino perde elasticidade ao longo dos anos, reduzindo a capacidade de foco para perto.
Durante décadas, as principais opções foram:
• Óculos para perto
• Lentes multifocais
• Procedimentos cirúrgicos selecionados
Agora surge uma nova possibilidade: o colírio de aceclidina.
O que é o colírio de aceclidina?
A aceclidina é uma medicação oftálmica que age reduzindo o tamanho da pupila.
Quando a pupila fica menor, ocorre aumento da profundidade de foco — semelhante ao chamado efeito “pinhole”. Isso melhora temporariamente a visão para perto e também para distâncias intermediárias.
É importante esclarecer:
- O colírio não rejuvenesce o cristalino
-Não interrompe o envelhecimento ocular
-Não cura a presbiopia
-O efeito é temporário
Ele atua enquanto está fazendo efeito no organismo.
Aprovação nos Estados Unidos
Uma solução oftálmica de aceclidina 1,44% foi aprovada pelo FDA em julho de 2025 para o tratamento da presbiopia em adultos.
A aprovação foi baseada em estudos clínicos de fase 3 (CLARITY 1, 2 e 3), que demonstraram melhora significativa da visão de perto com:
• Início de ação em cerca de 30 minutos
• Pico de efeito por volta de 3 horas
• Duração que pode chegar a aproximadamente 10 horas
O que mostraram os estudos clínicos?
Os estudos CLARITY foram ensaios multicêntricos, randomizados e duplo-cegos.
Resultados principais:
• Cerca de 71% dos pacientes apresentaram melhora de 3 ou mais linhas na visão de perto em 30 minutos.
• Aproximadamente 40% mantiveram esse ganho por até 10 horas.
• Não houve perda significativa da visão para longe.
Além disso, a maioria dos participantes relatou melhora percebida na qualidade da visão.
E quanto à segurança?
Nos estudos realizados:
• Não foram observados eventos adversos graves relacionados ao tratamento.
• Os efeitos colaterais mais comuns foram leves e transitórios, como:
◦ Ardor leve ao instilar
◦ Vermelhidão discreta
◦ Cefaleia leve
◦ Sensação temporária de visão embaçada
Como toda medicação, o uso deve ser indicado após avaliação oftalmológica adequada.
Para quem pode ser indicado?
O colírio pode ser interessante para:
• Pacientes que desejam reduzir a dependência dos óculos em situações específicas
• Uso ocasional (eventos sociais, prática de esportes, leitura, uso de celular)
• Pessoas que ainda não desejam cirurgia
Nem todos os pacientes terão o mesmo resultado.
Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Situação no Brasil
Até o momento, o colírio ainda depende de aprovação pela Anvisa para comercialização no Brasil.


